A comunidade ucraniana de Ortigueira vivenciou a tradição das Santas Missões Populares na Igreja Cristo Rei, um evento de fé e cultura que se repete a cada dez anos. O objetivo é assegurar a renovação da alegria, da fé e da esperança na comunidade.
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Os missionários, Padre Antônio Roik e Padre Marcos Chmilouski, vieram de Prudentópolis, o centro espiritual ucraniano no Brasil, sendo recebidos pelo padre da comunidade, José Hadada.

A fé vence o temporal
Um momento marcante das missões ocorreu durante a última celebração. Um temporal atingiu a região, resultando na falta de energia por cerca de 1 hora. A fé da comunidade foi demonstrada com a continuidade da celebração à luz de velas e celulares, mostrando a resiliência e a devoção dos fiéis.

A celebração em Ortigueira se alinha ao Ano Jubilar de 2025, com o convite do, na época, Papa Francisco, para sejamos “peregrinos da esperança”. Para a comunidade ucraniana, a esperança tem um significado etnorreligioso ligado à sobrevivência e à paz de sua nação ancestral.
O encontro de 10 em 10 anos, que inclui refletir, celebrar, cantar, rezar, funciona como um ritual de memória comunitária. A Missão é um ato de resistência cultural, garantindo que a semente da fé seja repassada às novas gerações.
Diáspora e resistência cultural
A comunidade de Ortigueira é um desdobramento da grande onda de imigração ucraniana que se estabeleceu no Paraná no final do século XIX. Estes imigrantes, chamados de “rutenos”, vieram para o Brasil atraídos por promessas de terra, mas encontraram um ambiente de “promessas quebradas”, miséria e falta de infraestrutura.
Nesse cenário, a Igreja Greco-Católica Ucraniana (IGCU) se tornou a única infraestrutura de coesão social e o principal elo de solidariedade, garantindo a sobrevivência da identidade étnica. A Ordem de São Basílio Magno (Padres Basilianos) e as Irmãs Servas de Maria Imaculada atuaram para estruturar a comunidade e combater o analfabetismo.
Rito bizantino o escudo da identidade
É essencial entender que tanto a IGCU quanto a Igreja Católica Romana são plenamente católicas e estão em comunhão com o Papa Leão XI. A distinção fundamental reside no rito que a IGCU preserva, o Rito Bizantino-Ucraniano.
- Diferenças Litúrgicas e Canônicas:
- O Rito Latino celebra a Santa Missa, o Rito Bizantino celebra a Divina Liturgia.
- O Rito Latino usa pão ázimo (não fermentado), enquanto o Rito Bizantino usa pão fermentado.
- A IGCU permite a ordenação de homens casados ao presbiterato, ao contrário da norma de celibato do Rito Latino.
- O Santuário na IGCU é separado por uma Iconostase (parede de ícones), que simboliza a separação mística entre o céu e a terra.
A preservação do Rito Bizantino funcionou como uma poderosa barreira institucional e linguística contra a assimilação cultural durante as campanhas de nacionalização no Brasil. A manutenção do culto oriental se transformou em um ato de afirmação cultural e política. A IGCU, ao preservar seu rito, resistiu tanto à latinização quanto à pressão da ortodoxia russa.
A Capela Cristo Rei, em Ortigueira, que sediou as Missões, é um exemplo dessa consolidação da comunidade ucraniana no Brasil.
Celebração da união cultural e gratidão
Ao final do período das Missões, que culminou com a solene Divina Liturgia (a celebração central do rito ucraniano), a comunidade promoveu um jantar especial para celebrar a união e a gratidão.
O jantar ofereceu uma fusão entre comidas típicas ucranianas e pratos tradicionais brasileiros, como forma de manifestar o sucesso da imigração. Este ato simboliza a coexistência harmoniosa e o sincretismo cultural, onde a comunidade preserva a memória dos pais (na fé e na culinária étnica) enquanto abraça a pátria brasileira.
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