Moradores da zona rural de Ortigueira denunciam mais de 15 dias sem energia elétrica

Moradores da localidade do Empoçado e da região de Serra Pelada, na zona rural de Ortigueira, enfrentam sérios prejuízos causados pelo descaso no fornecimento de energia elétrica. Segundo relatos da comunidade, algumas propriedades permaneceram mais de 15 dias sem luz ou sofrendo com oscilações constantes, sendo que a energia voltou após 15 dias, no dia 14/10.

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O principal motivo das interrupções recorrentes é a queda de eucaliptos plantados pela Klabin na região da Estrada Campo dos Índios, em Serra Pelada, próximo à Igrejinha. Com qualquer registro de vento, as árvores atingem a fiação e deixam mais de 20 famílias no escuro. Apesar de a responsabilidade legal pelo manejo das árvores na faixa de segurança ser da Copel, os moradores também procuraram diretamente a Klabin para solicitar o corte dos eucaliptos próximos à rede, mas ainda aguardam um posicionamento da empresa.

Protocolos encerrados sem solução e cobrança por poda

Além da falta de respostas efetivas na ouvidoria da Copel e na Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), um morador denunciou falhas graves no atendimento de campo através da plataforma Reclame Aqui. Confira os principais pontos cobrados pelos consumidores rurais:

  • Encerramento indevido: Equipes terceirizadas da Copel vão até as propriedades após 10 dias de espera, dão baixa nos protocolos como se o serviço estivesse concluído e vão embora sem restabelecer a energia.
  • Manejo da vegetação: Os moradores exigem o cumprimento das Leis Estaduais nº 20.081/2019 e nº 23.277/2026, que determinam uma faixa de segurança de 15 metros de cada lado da rede sob responsabilidade de poda da concessionária.
  • Cobrança direta: Na tentativa de agilizar uma solução, a comunidade acionou diretamente a Klabin pedindo a retirada das árvores, mesmo ciente de que a obrigação de limpar a faixa de servidão pertence à distribuidora de energia.
  • Prejuízos contínuos: Algumas residências só tiveram a luz religada após o caso ser levado à imprensa, enquanto produtores acumulam perdas financeiras diárias.

Posicionamento do atendimento da Copel

Em mensagens trocadas com o consumidor, o setor de atendimento da Copel justificou a demora afirmando que todo o Paraná sofre com a influência do fenômeno El Niño e que a companhia atua com mais de 600 equipes para restabelecer o serviço no estado. Sobre a poda dos eucaliptos na faixa de segurança de 15 metros, o atendente alegou que as normas da ANEEL estão acima das leis estaduais.

O argumento foi prontamente contestado pelo morador, que destacou que resoluções federais não anulam automaticamente a legislação estadual vigente e que a própria Resolução Normativa nº 1.137/2025 da ANEEL obriga o manejo preventivo da vegetação. A comunidade exige uma vistoria técnica urgente e um plano definitivo de retirada das árvores para evitar novos apagões.

Diante dos transtornos recorrentes no interior do município, o prefeito Ary Mattos e secretários municipais reuniram-se com gerentes da Copel nesta quarta-feira (14) para cobrar soluções e maior estabilidade no fornecimento de energia para os produtores rurais.

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