ADAO vai à Câmara de Ortigueira cobrar repasses para a causa animal na cidade

A Associação Defensora dos Animais de Ortigueira (ADAO) utilizou a tribuna da Câmara Municipal nesta segunda-feira (13) para apresentar as demandas urgentes da causa animal. A diretoria da ONG cobrou a criação de políticas públicas e a destinação de recursos para amparar o trabalho voluntário realizado na cidade.

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A organização informou que promove até cento e quarenta castrações anuais e atende mais de quinhentos animais resgatados. A entidade destacou que atua como a principal parceira das polícias Civil e Militar quando há necessidade de acolher cães e gatos vítimas de maus-tratos no município, assumindo uma responsabilidade que deveria ser do poder público.

Disparidade de gastos e prioridades do município

Durante a apresentação, a representante da ADAO esclareceu que a entidade não é contra os investimentos em esporte e cultura realizados pela prefeitura. O questionamento levantado foi a disparidade nas prioridades da gestão e a falta de repasses.

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A diretoria ressaltou que o município negou um pedido de apenas mil e quinhentos reais para a compra de ração, mas investiu cerca de cento e quarenta mil reais em uma corrida de rua recente. O contraste apontado pela associação é que a corrida foi um evento de apenas um dia, enquanto a ONG atende as demandas de toda a população de Ortigueira durante o ano inteiro, todos os dias, sem receber auxílio financeiro permanente.

Abandono em massa na Aldeia Queimadas

A gravidade da omissão municipal foi reforçada pela participação da enfermeira Nice, representante da Aldeia Indígena Queimadas. A profissional de saúde revelou que a reserva abriga atualmente mais de 1.091 cachorros, gerando um sério alerta de saúde pública e de controle de zoonoses na região.

Nice explicou que a população da cidade abandona os animais diariamente nas proximidades da aldeia. A comunidade indígena acaba recolhendo e cuidando dos cães por compaixão, assumindo uma carga financeira e sanitária pesada por causa da irresponsabilidade dos moradores da área urbana.

Resposta oficial dos vereadores

O presidente do legislativo concordou com a necessidade de um espaço físico para a entidade e explicou que os vereadores são legalmente impedidos de aprovar projetos que gerem despesas diretas para a prefeitura. Ele se comprometeu a cobrar a aplicação de uma lei municipal criada por ele mesmo em 2020, mas que não foi posta em prática, que criaria um órgão de proteção animal..

Os parlamentares decidiram assinar um ofício em conjunto reunindo todos os dados apresentados pela ADAO e pela Aldeia Queimadas. O documento oficial será encaminhado ao Poder Executivo e à Secretaria de Meio Ambiente para cobrar um posicionamento da prefeitura sobre os repasses.

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